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sexta-feira, 6 de junho de 2014

As aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá


Bruna Santos1

 O famigerado complexo de vira-latas brasileiro, diagnosticado por Nelson Rodrigues,  tem sido recorrentemente citado ao longo das últimas semanas. Ele reflete a insegurança e descontentamento daqueles que repetem “só no Brasil mesmo” toda vez que se deparam com algum problema. A percepção do brasileiro sobre a situação atual do país piorou significativamente desde que os protestos tomaram as ruas em junho do ano passado. A mensagem era clara: o brasileiro quer eficiência,  integridade política e, acima de tudo, quer ser ouvido. A iminência da Copa do Mundo nos jogou no meio de uma nuvem de insegurança coletiva em relação à percepção alheia sobre o Brasil. Nesse caso, a percepção de nada menos do que o restante do mundo.  A fim de dar um empurrãozinho na disposição de alguns brasileiros a ver o copo meio cheio, proponho uma reflexão breve sobre democracia e participação.

Na última quinta-feira, “só no Brasil mesmo”, foi realizada a maior consulta pública da história da internet no país. A Votação de Prioridades realizada pelo Gabinete Digital do Estado do Rio Grande do Sul encerrou as consultas com 255.751 votantes em três dias. Com este resultado, o Rio Grande do Sul realizou a maior consulta pública da história da Internet no país e o maior processo de orçamento participativo digital do mundo. Tudo isso foi monitorado de perto por pesquisadores do Banco Mundial que estavam no estado para conduzir uma série de experimentos relacionados à participação cidadã.

Comparação e competição

Como quem olha o pão com manteiga que tem na frente e compara com o carré de cordeiro na foto do Instagram do vizinho, o brasileiro complexado olha para fora e se deprime. (Não cabe a mim explicar o porquê). Ele se deprime porque pensa que em Miami a vida é mais fácil; que em Nova Iorque tem emprego pra todo lado e que em Pequim tudo funciona, pois o governo é eficiente.

Aos que pensam assim, fica o meu depoimento. Há algum tempo vivo entre Brasil, China e Estados Unidos. Ser expatriada foi uma opção de vida. Não saí do Brasil por que o país não funciona. Saí por inquietação intelectual.

Manhattan connection às avessas - com parada na Praça da Paz Celestial

Olho para os países onde morei nos últimos 4 anos e vejo que o Rio Grande do Sul  não está nem um passo atrás em termos de democracia e participação. Pelo contrário.

Nos EUA, desde a década de 1990 tem-se tentado reinventar o governo. David Osborne foi o idealizador dessa reforma na administração Bill Clinton.  Nos últimos 8 anos, Nova Iorque também passou por uma transformação intensa na forma de pensar a intersecção entre políticas públicas e tecnologia. Liderada pelo prefeito Bloomberg, a iniciativa de usar a tecnologia da informação a serviço dos cidadãos foi feita de maneira colaborativa. A prefeitura abriu seus dados e criou canais de participação para que a população inovasse criando soluções criativas para os problemas urbanos. Eu considero a experiência nova-iorquina admirável e replicável. No entanto, a cidade ainda carece de iniciativas de participação popular eficazes. Acredite, tendo Porto Alegre como exemplo, a esquina do mundo lançou apenas em 2012 seu modelo de orçamento participativo - 23 anos depois da implantação do OP em POA pelo então prefeito Olívio Dutra.

Depois da grande maçã, olhemos para a outra esquina do mundo: Pequim. Na China, se você não é filiado ao Partido Comunista Chinês (PCC), as suas chances de ser ouvido e de participar das decisões políticas do país são reduzidas a nada. O chinês de classe média hoje tem acesso às grandes marcas internacionais, carros de luxo e etc, mas ainda está encerrado em um modelo não participativo de governo. Lá vive-se era da informação, da velocidade, da internet e das redes sociais, mas ninguém pode usar o Google, a internet é censurada e os cidadãos leem com descredibilidade o que é dito na mídia local.

No mesmo 4 de junho que, no Rio Grande do Sul, comemorávamos o sucesso da participação popular na votação das prioridades, na China, o governo repetia, pela 25º vez, seu esforço anual para apagar da história os vestígios do massacre de estudantes que pediam democracia na praça de Tianamen.

Oportunidades

A era da informação, da internet, das redes sociais e dos dados abertos nos oferece a oportunidade única de reformular nossas instituições políticas. O Rio Grande do Sul tem sido pioneiro nisso.  Uma revolução na forma de fazer política é necessária. A desigualdade entre ricos e pobres é um abismo que os líderes mundiais passaram décadas tentando fechar. Mas, na realidade, a maioria dos cidadãos permanece insatisfeito com uma desigualdade diferente: a que existe entre os poderosos e os impotentes.

Mais uma vez, o Gabinete Digital deu poder à voz dos gaúchos. Elevou o volume dos que ainda falam baixo ou não são ouvidos. Eu tenho orgulho disso e não vejo espaço para inseguranças e complexos, mas sim para avaliação crítica e construtiva. Melhoria, sugestões, participação e inovação. Que assim seja e que nossa voz nunca se cale. Os ouvidos dos poderosos estão abertos. Aproveitem!



1 Bruna é mestranda em Administracao Pública na Universidade de Columbia, pesquisadora no projeto Public Management Innovation entre os Columbia Global Centers do Rio de Janeiro, Pequim e Mumbai e sócia-fundadora da empresa Ethos Intelligence, dedicada ao monitoramento e avaliação de projetos de impacto social. Contato: bsd2118@columbia.edu :::  b.santos.ri@gmail.com ::: LinkedIn


sexta-feira, 4 de abril de 2014

Ethos recommends: Mobilities in cities













In April 11th, the fifth annual conference on cities and modern urban realities will bring together scholars from architecture, civil engineering, sociology, and other disciplines, with practitioners whose work addresses the acute issues of urban life. In particular focus will be the subject of mobilities, including visible ones like cars, bikes, walking and crowds, as well as invisible ones like digital and mechanical networks.

Our Project Manager and Clumbia - SIPA student Bruna Santos will be there! Mobilities in Cities is hosted by Saskia Sassen, Co-chair of the Committee on Global Thought. 
This conference is part of a larger project on Urbanizing Technology supported by the Audi Urban Future Initiative.

Program

10:00am: Urbanizing Technology. The Audi Urban Future Initiative

Saskia Sassen, Robert S. Lynd Professor of Sociology and Co-chair, Committee on Global Thought, Columbia University

10:30am-12:00pm Today’s Mobility Spaces and Beyond

Urban Form, Transport Networks and Travel Demand: The Accessibility Nexus
Eric J. Miller, Professor, Department of Civil Engineering and Director, University of Toronto Transportation Research Institute, University of Toronto

Comparative Political Economy of Sustainable Transport
Walter Hook, Chief Executive Officer, Institute for Transportation & Development Policy, New York

Moving beyond the ‘Car’
John Urry, Author of Societies beyond Oil: Oil Dregs and Social Futures (Zed 2013) and Offshoring (Polity 2014)

12:15pm-1:15pm Transmobilities

Toward Transmobility
Adam Greenfield, Founder and managing director, Urbanscale and Senior Urban Fellow, LSE Cities

The Future of Urban Mobility in China
Xuefei Ren, Associate Professor of Sociology and Global Urban Studies, Michigan State University

1:15pm-2:15pm Lunch Break

2:15pm-4:00pm Measuring, Making, Subverting Urban Futures

What does the Global Power City Index 2013 tell us about Mobility in New York, Tokyo and two other cities?
Hiroo Ichikawa, Dean, Graduate School of Governance Studies, Meiji University and Executive Director, Mori Memorial Foundation, Japan

Moving Bits
Assaf Biderman, Associate Director, SENSEable City Lab, Massachusetts Institute of Technology

Bogotá: Urban Space for a New Mobility
Diana Barco, Co-curator of the Audi Urban Future Initiative Bogotá project on mobility and urban fabric
Doris Tarchópulos, Co-curator and Co-director of the research, “Bogotá Urban Interactions and Future Mobility,” Audi Urban Future Initiative

4:15pm-5:45pm Programming Mobility

Reprogramming Mobility
Greg Lindsay, Senior Fellow, World Policy Institute

Modes of Mobility: Restricted, Imposed, Ignored, Opened or Hacked
Claire Roberge, Researcher, Urbanizing Technology: The Mobility Complex

How Motion Came to Dominate Urban Space
Richard Sennett, University Professor of Humanities, New York University and Professor of Sociology, London School of Economics and Political Science

5:45pm Closing Remarks: What is next in this research project?

Saskia Sassen

Sponsored by the Committee on Global Thought and the Graduate School of Architecture, Planning and Preservation.

The event is free and open to the public. No registration necessary. First come first seated.

For more information on this and other events, please visit cgt.columbia.edu

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Mibile and public management innovation

91% of Americans own a smartphone. These people are accessing information, in some cases all of their information, from a mobile device. As Robert Knapp, COO of Nic, notes, they are "no longer 'nice to have' or novelty items, mobile devices are well on their way to becoming the primary means of accessing the Internet." This isn't necessarily anything new as we've been hearing the last few years about the necessity of a "mobile first" approach. As Knapp points out in his recent article in Federal Times, many states are already doing this. With tight budgets and limited resources, they are looking for innovative solutions to get more information to their constituents while reducing costs and increasing efficiencies. For many, going mobile is the answer.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

OpenGov já chegou na sua cidade?

Seja você um entusiasta do governo aberto (conhecido pelo termo OpenGov, abreviação para Open Government), como nós da Ethos, seja você um sujeito ainda não familiarizado com esta modalidade de políticas baseada em dados abertos, inevitavelmente você estará sujeito a esta tendência.  No mundo todo as iniciativas de OpenGov estão ganhando espaço, mesmo em países pouco conhecidos pelos seus métodos participativos de tomada de decisão, como a China.


Podemos definir as iniciativas de OpenGov como a construção de canais (redes) de colaboração da sociedade na administração pública. Por meio delas, estabelece-se um modelo participativo de governança baseado na possibilidade de qualquer cidadão contribuir para a edificação de uma nova plataforma de governo mais aberta e transparente, que atende às demandas sociais. OpenGov está no cerne da noção de redistribuição de poder.

Usarei aqui alguns exemplos destas iniciativas nos Estados Unidos para esclarecer um pouco o assunto. Embora o Ato de Liberdade da Informação (Freedom of Information Act) tenha sido lançado em 1966, as políticas americanas baseadas em dados abertos (Open Data) só começaram a sair do papel nos últimos 7 anos (desde 2006 aproximadamente). Na vanguarda deste período estão Chicago, Filadélfia, Nova Iorque e São Francisco. Mas ainda assim Open Data nem sempre está no centro das discussões políticas por aqui (aos desavisados, digo “aqui” porque escrevo do sexto andar da SIPA, escolar de Relações Internacionais da Universidade de Columbia em Nova Iorque).  Mas a indiferença a esta oportunidade de participação cidadã na formulação de políticas públicas está mudando.
Só em 2012, sete novas políticas de dados abertos foram implementadas em nível estadual e municipal nos EUA.  As tendências de jurisdição são promissoras também: cada vez mais a promulgação em cidades menores, como a South Bend, Indiana, bem como em estruturas governamentais maiores. Quatro novos estados foram adicionados à lista dos que usam dados abertos: Utah, New York, New Hampshire e Havaí. Além disso, o governo federal (e agências específicas) refinou seus objetivos e políticas de dados abertos. Muitas cidades reforçaram, em 2013, a divulgação de informação e priorizaram a criação de dados abertos.
Como exemplo concreto, citamos o site NYC Open Data que compila dados do governo e outras fontes para uso público: informações sobre transporte, consumo de energia, descrição sobre colégios e universidades, entre outras informações que são super úteis à população. Para conhecer clique aqui.
Outro exemplo é da fundação Sunlight, que lançou um mapa das cidades do país já emprega políticas de dados abertos. Para visualizá-lo clique aqui.
E no Brasil? A cidade onde você mora já emprega políticas baseadas em Open Data? Você tem ideias de como isso poderia ser feito? Conte pra nós.